Mistura de gêneros
por Arte Design // ComenteFoi-se a época em que a guerra era apenas dos sexos. A dualidade Homem vs Mulher e a polêmica da entrada da mulher no mercado de trabalho, quase soam como assuntos do milênio passado (o que de fato, são).
Hoje em dia, o assunto que toma conta das rodas de discussões, da mídia, e, principalmente, do mundo da moda, é a androginia e essa mistura de gêneros não identificáveis que está cada vez mais chamando a atenção das pessoas.
A mistura de gêneros não se limita apenas à homens se vestido de mulher no carnaval ou vice-versa. A quantidade de travestis, crossdressers e transsexuais assumidos é cada vez maior. Maior ainda, é a visibilidade que esse assunto está gerando.
Como já havíamos comentado aqui no blog, uma das modelos que mais chamou atenção ultimamente foi Lea T, a transsexual brasileira que desfilou com exclusividade para a grife de Alexandre Herchcovitch e virou top model após estrelar a campanha da Givenchy. No auge de sua carreira, a filha do jogador de futebol brasileiro Toninho Cerezo tem sido uma das modelos mais disputadas da temporada, temporada esta em que a androginia não vem apenas na aparência das(os) modelos, mas, principalmente, nas modelagens e no design das roupas.
Apesar de todo o sucesso que Lea T está fazendo, ela se abriu em uma entrevista ao canal GNT e disse que “gostaria de poder aceitar meu corpo como o de um homem. Acho que minha vida seria muito mais fácil e seria menos doloroso para minha família… Mas é algo dentro do meu cérebro. Medicamente, é um transtorno. Eu tentei viver como um gay, como todo transexual tenta, porque é mais fácil, mas no fim das contas, quando você vai ao médico, vê que não tem homossexualidade alguma. Seu cérebro é como se fosse o de uma mulher. Quando se é transexual, você se sente realmente uma mulher. E eu gosto de homens”. Lea ressalta ainda que o preconceito é diário e muito maior do que as pessoas imaginam, principalmente fora do mundo da moda.

Lea T desfilando para Givenchy
Lea no editorial “The Dreams of Lea T” na última edição da V Magazine
O modelo sérvio-australiano Andrej Pejic de apenas 19 anos também está fazendo muito sucesso devido aos seus traços andróginos. Com um rosto que pode facilmente ser confundido ao de uma mulher, o garoto está tirando proveito desta tendência e já estampou editoriais na Vogue Itália e na Vogue Turquia, além da campanha de Jean-Paul Gaultier, bem como o desfile da marca e também de outras grifes internacionais.
Em entrevista ao jornal inglês The Daily Telegraph, Andrej, quando perguntado sobre como se sente em relação à sua aparência diz que “Agora estou confortável em minha pele, e acho legal que o meu visual seja celebrado, ele é muito pessoal para mim. Quando eu comecei a experimentar, foi uma decisão bastante pessoal, porque eu estava infeliz. Não foi algo que eu fiz somente para chamar a atenção”
Andrej na campanha de Jean-Paul Gaultier, à direita.
Posando de calcinha e sutiã para a Vogue Turquia
Em editorial da próxima edição da Tush Magazine
A Vogue foi a revista que mais aderiu à androginia fazendo editoriais e abordando o assunto com diversas estéticas, veja:
Raquel Zimmermann para Vogue Paris
Lady Gaga na capa da Vogue Hommes Japan
Esperamos que este “boom” da androginia que vem ocorrendo principalmente no mundo da moda sirva para acabar com o preconceito que ainda existe e também para mudar o padrão estético atual, tornando-o mais abrangente e livre de diferenciações e dualidades.



Chapéu e muito brilho no desfile da Armani Privé
Detalhe da gargantilha lisa e o brinco e prendedor de cabelo brilhantes da Chanel
Chapéu com modelagem extravagante, Dior
As maxi joias de Jean Paul Gaultier
Colar de Jean Paul Gaultier
Maxi Colar Valentino
Maxi gola Valentino
Detalhe do brinco da On Aura Tout Vu





